domingo, 21 de dezembro de 2008

3. eu te amo


juntos somos fortes,
juntos somos tão loucamente sãos
juntos nos permitimos mesmo porque
não termos nada a dizer sempre é
o prenúncio de conversas geniais

juntos pelo acaso de cada dia
juntos pelas ruas da cidade
que nos levam ao novo imprevisto
e nos favorece loucas aventuras

estímulos mil, teorias bizarras
troca de experiências
viagens astrais
nunca nos perderemos
pois juntos enfim nos encontramos.

by 愛 dani weber 愛

2. suspenso


não há muito a fazer sem que se firam suscetibilidades e expectativas em suspenso, o medo de inevitáveis mudanças provoca essa paralisia planejada que só posso definir como o equilíbrio interno que sobrevém pouco antes das tempestades.

nada que se planeje poderia agora abalar essa delicada e instável realidade que se precisa suportar, sentimentos fortes congelados no tempo à espera da revelação que os redima do poder incomensurável da inércia.

há que-se suportar esse vento frio que carrega folhas e que destrói paisagens inteiras sem se deter, sem se deixar ficar nem por um instante, e essas tantas racionalizações nos protegem o espírito do atravessar dessa dor tênue e tão real.

by 愛 dani weber 愛

1. o louco


perguntam-me como me tornei louco.
aconteceu assim:

um dia, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras
tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado
em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias gritando:

'ladrões, ladrões, malditos ladrões!'

homens e mulheres riram e alguns correram para casa, com medo de mim.
e quando cheguei à praça do mercado, um garoto gritou de cima de um telhado:

'é um louco!'

olhei para cima, para vê-lo.
pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,e não desejei mais minhas máscaras.
e, como num transe, gritei:

'benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!'

assim me tornei louco.
e encontrei tanto liberdade como segurança na loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

(gibran kahlil gibran)