domingo, 1 de fevereiro de 2009

a coisa mais injusta sobre a vida


a coisa mais injusta sobre a vida
é a maneira como ela termina.
eu acho que o verdadeiro ciclo da vida
está todo de trás pra frente.
nós deveríamos morrer primeiro,
nos livrar logo disso.
daí viver num asilo, até ser chutado
pra fora de lá por estar muito novo.
ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
então você trabalha 40 anos até ficar novo
o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
aí você curte tudo, bebe bastante álcool,
faz festas e se prepara para a faculdade.
você vai para colégio, tem várias namoradas,
vira criança, não tem nenhuma responsabilidade,
vira um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe,
passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
e termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?

(charles chaplin)

sábado, 31 de janeiro de 2009

para aliviar meu fardo (charles bukowski)


"você pode não acreditar nisto,
mas há pessoas que passam pela vida
com muito pouca fricção de angústia.

elas se vestem bem, dormem bem.
elas estão contentes com sua família.
com a vida.
elas são imperturbáveis e
frequentemente se sentem muito bem.

e quando elas morrem
é uma morte fácil,
normalmente durante o sono.

você pode não acreditar nisto,
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhuma delas.
oh não, eu não sou nenhuma delas.

eu não estou nem mesmo
próximo de ser uma delas.
mas elas estão lá..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

libertação.

livre de influências externas que me roubaram
a paz de espírito e me colocaram os nervos à
flor da pele, agora me sinto finalmente relaxar,
as camadas de ressentimentos que eu carregava
há muito tempo estão dissolvendo na aceitação
do novo, contemplação do inevitável, fim de um
ciclo, sinto um tipo de recomeço reformulado.

paz nas relações mais profundas, sinceridade,
apoio, temperança, pois as últimas descargas de
energias revelaram os ponto nevrálgicos de um
contato íntimo e tão fértil quanto mútuo, em
que se assegura um elo que se faz presente, que
não se quer perder, se acredita em conciliação,
eu também.

tudo o que pode acontecer, sem dúvida acontece,
com ou sem a participação ativa de quem está
envolvido, e para manter o vínculo basta apenas
acalmar as emoções, abrandar o coração e aceitar
que a união se estabeleça da maneira mais natural
possível.

o ego é o elemento dissociante, o ego nos alheia
e perturba, sobretudo se existem pontas soltas,
coisa não-ditas, desejos não-expressos. o tempo
está sempre a favor do progresso, aponta para
aproximação, a naturalidade é a chave para
manter-se unido.

isso me mantém aquecida, na defesa do elo, tão
fundamental e sincero, que me conecta com minhas
profundas fontes de emoção e de amizade eternas,
transformando o padrão de meus vínculos,
ampliando o poder de compreensão e de entrega
desinteressada apenas pelos atributos de uma
relação confortável e livre de pressões externas
ou da espera de resultados.

a torrente de lágrimas que chorei, alívio, dúvida,
revelação, expectativa da mudança.
depois da tempestade veio o sol da manhã, ar puro,
canto dos pássaros a serenidade do verão. e com a
pureza do cristal me resta esta jóia para lapidar,
achar os ângulos de convergência, os limites e as
nuances de cada manifestação de algo tão raro.

(by dani weber)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

gota d'água - chico buarque


já lhe dei meu corpo
minha alegria
já estanquei meu sangue
quando fervia
olha a voz que me resta
olha a veia que salta
olha a gota que falta
pro desfecho da festa
por favor...

deixe em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa
e qualquer desatenção, faça não
pode ser a gota d'água...
pode ser a gota d'água...

(chico buarque de hollanda)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

gracias a la vida


gracias a la vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo

gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado el oído que en todo su ancho
graba noche y día grillos y canarios
martirios, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado

gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abecedario
con él, las palabras que pienso y declaro
madre, amigo, hermano y luz alumbrando
la ruta del alma del que estoy amando

gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos
playas y desiertos, montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio

gracias a la vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano
cuando miro el bueno tan lejos del malo
cuando miro el fondo de tus ojos claros

gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto

gracias a la vida, gracias a la vida

(mercedes sosa, la negra)

asas presas



pensando em dizer adeus
mas impreganda até a alma
dessa tão sutil presença
olho as árvores, as mesmas
que emolduravam o rosto
nas já distantes manhãs
- café, choro, riso e poesia -
agora recortam o céu azul.
e me invade a brisa do novo
vem morna como o sorriso
e a voz me volta, profunda
e já não sei para onde vou
ou se ainda posso me mover
inútil meu bater de asas
sou borboleta em cativeiro.

by 愛 dani weber 愛

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

morning has broken (joy...!)


"morning has broken,
like the first morning
blackbird has spoken,
like the first bird
praise for the singing
praise for the morning
praise for the springing
fresh from the world...
sweet the rain's new fall,
sunlit from heaven
like the first dewfall,
on the first grass
praise for the sweetness
of the wet garden
sprung in completeness
where his feet pass...
mine is the sunlight
mine is the morning
born of the one light
Eden saw play
praise with elation
praise every morning
god's recreation
of the new day..."

(by cat stevens)